RS RECEBE MAIS 39 AMBULÂNCIAS DO GOVERNO FEDERAL
JÁ FORAM REPASSADAS AO ESTADO 123 AMBULÂNCIAS
ATENDIMENTO DO SAMU JÁ REALIZA A COBERTURA DE 130 MILHÕES DE BASILEIROS
São as primeiras das 2.312 unidades que serão distribuídas até agosto deste ano. A primeira remessa aumenta a frota do SAMU/192 em 43,6% e eleva a cobertura atual para 130 milhões de brasileiros
O Ministério da Saúde vai distribuir a todos os estados e o Distrito Federal a primeira remessa de ambulâncias de um total de 2.312 adquiridas pelo governo federal. São 650 novos veículos que atuarão no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU/192) de 573 cidades (veja tabela). A previsão é que as 2.312 ambulâncias sejam entregues até agosto. Com isso, o governo federal vai mais que dobrar as 1.488 unidades existentes hoje no país e atender, até o fim do ano, mais de 160 milhões de brasileiros. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro José Gomes Temporão participam de cerimônia de entrega dos veículos nesta quinta-feira (25), em Tatuí (SP).
O investimento na compra das 2.312 ambulâncias, a maior já feita pelo Ministério da Saúde, foi de R$ 256,4 milhões. O governo federal repassará ainda aos estados R$ 719,1 milhões por ano para o custeio das atividades. As 650 da primeira remessa custaram R$ 75,8 milhões e os estados e os municípios receberão R$ 97,5 milhões por ano para manutenção do serviço. Na cerimônia, as chaves das ambulâncias serão entregues aos prefeitos de Porto Acre (AC), Sarandi (RS), Nova Crixás (GO), Arapiraca (AL) e Tatuí (SP), que representam as cinco regiões do país. Caberá aos governos locais contratar as equipes e colocar as ambulâncias em funcionamento.
Os veículos dessa primeira remessa ajudarão a ampliar o serviço de urgência no país, acelerando o atendimento e atingindo percentuais altos de cobertura nos estados. As 650 representam reforço de 43,6% na frota nacional, beneficiando mais de 24,2 milhões de pessoas. Com esse aumento, Alagoas, Amapá, Goiás e Roraima chegarão a 100% de cobertura. Isso significa que o SAMU vai atingir todo o território desses cinco estados. Outros quatro estados já haviam alcançado esse índice: Acre, Distrito Federal, Santa Catarina e Sergipe.
IMPACTO NO ATENDIMENTO - “Estamos dando um passo importante em direção à universalização do SAMU/192. As novas ambulâncias vão expandir as ações do programa, ao garantir um atendimento de qualidade a uma parcela maior da população. O aumento da frota melhora o tempo de resposta médica e torna a assistência cada vez mais ágil”, afirma o ministro José Gomes Temporão.
As 1.488 ambulâncias do SAMU/192 que hoje circulam no país atingem 106 milhões de pessoas - 55% da população do país. Com as 650, o índice de cobertura passará para 67,7% (130 milhões de pessoas). A meta do governo federal é universalizar o SAMU/192. Até o fim de 2010, o serviço chegará a 162,7 milhões de pessoas. O número de veículos para atendimento de urgência no país mais que dobrará com a distribuição das 2.312, chegando a 3.800 unidades em funcionamento no país.
Além da expansão no atendimento, as novas ambulâncias servirão também para renovar a frota, substituindo os veículos que, devido ao tempo de uso, quilometragem atingida e condições, devem ser retirados de circulação. Mais de 350 veículos serão utilizados na substituição de antigos – o que representa uma renovação de cerca de 25% da frota do país até o fim de agosto.
EXPANSÃO DO SAMU – O Ministério da Saúde dará continuidade ao cronograma de entrega das novas ambulâncias após a entrega das 650. A distribuição das primeiras unidades seguiu critérios técnicos. Tiveram prioridade as cidades que apresentaram projetos avançados para a expansão e implantação de centrais de atendimento do SAMU/192; as áreas beneficiadas pelo Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil (região Amazônica e Nordeste); e Territórios de Cidadania, regiões de baixo índice de desenvolvimento, que apresentam agricultura familiar, população quilombola ou indígenas.
Na entrega da primeira remessa, São Paulo receberá o maior número de ambulâncias do SAMU/192, 117, e chegará a uma cobertura de 70,17%. Em seguida, está a Bahia, que contará com 67 novos veículos, o suficiente para expandir o atendimento a 56,7% da população do estado. Pará ganhará 58 unidades, estendendo a cobertura do serviço a 70,7% dos paraenses.
Todas as ambulâncias que serão entregues nesta quinta-feira (25) são de suporte básico de vida - USB. Nas próximas remessas, o Ministério da Saúde distribuirá veículos de Suporte Avançado de Vida (USA), conhecidos como UTI Móvel. Do total da compra de 2.312, cerca de 400 são UTI Móvel e o restante, USB.
Embora as 650 ambulâncias sejam distribuídas a 573 cidades, elas beneficiarão uma região muito maior. O SAMU/192 é estruturado por meio das Centrais de Regulação, em que profissionais atendem os telefonemas de determinadas regiões, orientam o paciente sobre os primeiros cuidados, encaminham o veículo e entram em contato com a unidade de saúde que será responsável por receber o paciente. Assim, as ambulâncias estarão vinculadas às centrais das 573 cidades e atenderão uma área total de 1.060 municípios.
Com o reforço desses 650 novos veículos, o SAMU/192 vai atingir 2.354 cidades brasileiras - crescimento de 90,7% no total de localidades atendidas – 1.234 hoje. Com a entrega de todas as 2.312, o número de municípios com cobertura do SAMU chegará a 4.135 (74% do total existente no país).
INTEGRAÇÃO NA SAÚDE PÚBLICA - A entrega das ambulâncias reforça a política de atendimento integrado à população brasileira, estratégia elaborada pelo Ministério da Saúde para melhorar os serviços oferecidos na rede pública. O SAMU/192, nos casos de urgência, presta o primeiro atendimento ao paciente e o encaminha para os serviços mais adequados - as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que funcionam 24h e solucionam casos como pressão e febre alta, fraturas, cortes, infarto e AVC, ou os hospitais, em situações mais graves ou em que é necessário um acompanhamento mais específico.
A assistência ao paciente é realizada também por meio da Estratégia Saúde da Família. Voltada à atenção básica, inclui ações de prevenção de doenças, diagnóstico e promoção da saúde. As equipes de Saúde da Família são a porta de entrada do cidadão na rede pública de saúde. O governo federal aposta nessa rede, em que o atendimento básico e de urgência e emergência está integrado, para reduzir as filas dos hospitais e tornar o Sistema Único de Saúde (SUS) mais eficiente.
COMO FUNCIONA O SERVIÇO - O SAMU/192 faz parte da Política Nacional de Urgências e Emergências, de 2003, e ajuda a organizar o atendimento na rede pública. O socorro do SAMU é realizado após chamada gratuita para o telefone 192. As ligações são atendidas por técnicos da Central de Regulação que identificam a emergência e, imediatamente, transferem o telefonema para o médico regulador. Esse profissional faz o diagnóstico da situação e inicia o atendimento no mesmo instante.
Ao mesmo tempo, o médico regulador avalia o melhor procedimento a ser adotado: orienta a pessoa a procurar um posto de saúde ou hospital ou designa uma ambulância para o atendimento do paciente. Com poder de autoridade sanitária, o médico regulador comunica a urgência ou emergência aos hospitais públicos e reserva leitos para que o atendimento tenha continuidade.
Distribuição das 650 novas ambulâncias
ESTADO
Nº de novas ambulâncias
Total de Ambulâncias
Acre
6
25
Alagoas
29
43
Amapá
12
19
Amazonas
6
29
Bahia
67
182
Ceará
7
44
Distrito Federal
3
40
Espírito Santo
4
24
Goiás
42
128
Maranhão
10
64
Mato Grosso
15
31
Mato Grosso do Sul
16
33
Minas Gerais
46
169
Pará
58
88
Paraíba
10
41
Paraná
48
106
Pernambuco
12
88
Piauí
8
34
Rio de Janeiro
18
160
Rio Grande do Norte
26
55
Rio Grande do Sul
39
123
Rondônia
3
8
Roraima
11
15
Santa Catarina
23
113
São Paulo
117
394
Sergipe
7
65
Tocantins
7
17
TOTAL
650
2.138
Outras informações Atendimento à Imprensa (61) 3315 3580 e 3315 2351
jornalismo@saude.gov.br
Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=124&CO_NOTICIA=11168
terça-feira, 30 de março de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
Por que Datafolha cheira mal
Vários fatores estão gerando suspeita sobre a pesquisa Datafolha feitade afogadilho na quinta e na sexta-feira e publicada hoje (sábado, 27 de março de 2010), começandopela pressa e pelo sigilo que envolveram a sua realização. O próximofator que salta aos olhos é a conveniência dessa sondagem para ogovernador José Serra, notoriamente o candidato a presidente dafamília Frias, dona do grupo Folha, justamente na véspera de seuafastamento do governo do Estado e do lançamento da sua candidatura.O terceiro fator está contido na análise do diretor do Datafolha,Mauro Paulino, na Folha, valendo-se da platitude de que “pesquisas sãoflagrantes do momento” e que podem mudar, pois parece plantar uma“explicação” para o previsível desmentido dessa pesquisa por outrosinstitutos.O último fator, tão subjetivo quanto os anteriores, é o de que estamosfalando de um instituto de pesquisas de opinião que pertence à Folhade São Paulo, aquele jornal que não hesitou em publicar, em suaprimeira página, falsificação grosseira de ficha policial da grandeadversária de Serra.A pesquisa tenta se justificar exacerbando os pontos mais frágeis daministra Dilma Rousseff, como a maior dificuldade dela entre aspessoas do mesmo sexo e do Sul do país, arrematando com as propagandasde Serra na TV e sua intensa incursão nos programas de auditório, oucom ele ter admitido que é candidato e por estar chovendo menos em SãoPaulo.Nada explica, porém, que, tão repentina e intensamente, as mulheres eo Sul do país tenham descoberto que amam Serra. Duvido de que umadeclaração dele de que é candidato ou acontecerem um pouco menosdesastres em São Paulo lhe permitiriam angariar cerca de 7,5 milhõesde votos (cada ponto percentual vale 1,5 milhão) tão rapidamente.A pesquisa Datafolha é de uma conveniência inacreditável para Serra.Ele deve ser o político mais sortudo do mundo. Esses números serãousados para ajudar a fechar apoios políticos à sua candidatura e asoterrar resistências dentro do seu partido e entre seus aliadosexternos.Finalmente, concluo que essa manipulação escandalosa permitirá ver atéque ponto o PT está preparado para enfrentar uma campanha desse nível.Se o partido, de uma forma ou de outra, não encomendar pesquisas comceleridade, permitindo, assim, que o factóide surta efeito, serápreocupante.Por outro lado, se o PT mostrar que está antenado e disposto aenfrentar a guerra eleitoral que se avizinha, a Folha e seu grupopolítico poderão descobrir que fizeram uma aposta muito alta aofalsificarem uma pesquisa de forma tão grosseira. E por que o Datafolha foi a campo - Há um outro fator que torna aindamais estranha a pesquisa Datafolha divulgada neste sábado. Paraentendê-lo, vejamos a freqüência com que o instituto de pesquisas temido a campo para a avaliar a sucessão presidencial.As últimas três sondagens aconteceram de 14 a 18 de dezembro de 2009,de 24 a 25 de fevereiro de 2010 e, surpresa!, meros 30 dias depois. E,à diferença de suas pesquisas anteriores, não houve divulgação de queesta ocorreria.Por que o Datafolha foi a campo tão rápida, sigilosa einesperadamente? Terá alguma coisa que ver com o lançamento iminenteda candidatura Serra, aquela que eu dizia, de novo na contramão damaioria, que era inexorável?
Eduardo Guimarães
Fonte: Blog Cidadania
Eduardo Guimarães
Fonte: Blog Cidadania
A máscara do Dataroubo está caindo
COMENTÁRIO-DENÚNCIA DE UM LEITOR DO CONVERSA AFIADA DO PAULO HENRIQUE AMORIN: "Carlos Doenha Freitas em 27/março/2010 as 11:52
Jornalista Paulo Henrique Amorim
Sou entrevistador do Datafolha há algum tempo e desta vez percebi quea manipulação das entrevistas foi descarada, não podia deixar dedenunciar.Participei do trabalho de entrevistas desta pesquisa divulgada hojeque coloca o José Serra na frente da Dilma com 9 pontos.Posso garantir que sempre são realizadas entrevistas em maior númeronos bairros onde vivem as pessoas mais ricas, desta vez então foramrealizadas entrevistas nestes bairros em maior número ainda e emfichas em branco no local onde é anotada a região onde a entrevistafoi realizada.Eu e outros pesquisadores ja percebemos isto a muito tempo mas agorafoi demais, isto deve estar acontecendo em outros locais do Brasil.Não podiamos deixar de denunciar, esta pesquisa foi manipulada, podeacreditar, a Dilma ja esta até na frente do Serra, pois, nos bairrosmais pobres de São Paulo ela esta bem mais na frente, é que acoordenação da pesquisa mandou fazer mais pesquisas onde mora menosgente e as pessoas são mais ricas.Estamos denunciando isto porque é uma vergonha, a folha e a Globoquerem fazer o povo brasileiro de tontos, chega.
Fonte: "http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=29164
Jornalista Paulo Henrique Amorim
Sou entrevistador do Datafolha há algum tempo e desta vez percebi quea manipulação das entrevistas foi descarada, não podia deixar dedenunciar.Participei do trabalho de entrevistas desta pesquisa divulgada hojeque coloca o José Serra na frente da Dilma com 9 pontos.Posso garantir que sempre são realizadas entrevistas em maior númeronos bairros onde vivem as pessoas mais ricas, desta vez então foramrealizadas entrevistas nestes bairros em maior número ainda e emfichas em branco no local onde é anotada a região onde a entrevistafoi realizada.Eu e outros pesquisadores ja percebemos isto a muito tempo mas agorafoi demais, isto deve estar acontecendo em outros locais do Brasil.Não podiamos deixar de denunciar, esta pesquisa foi manipulada, podeacreditar, a Dilma ja esta até na frente do Serra, pois, nos bairrosmais pobres de São Paulo ela esta bem mais na frente, é que acoordenação da pesquisa mandou fazer mais pesquisas onde mora menosgente e as pessoas são mais ricas.Estamos denunciando isto porque é uma vergonha, a folha e a Globoquerem fazer o povo brasileiro de tontos, chega.
Fonte: "http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=29164
sábado, 27 de março de 2010
O Datafolha, os professores e o mundo bizarro de Serra
Por Marco Aurélio Weissheimer
A pesquisa Datafolha, divulgada neste sábado, apresenta dados curiosos. Segundo o instituto, Serra abriu vantagem na disputa. No entanto, a mesma pesquisa aponta que Dilma ampliou sua vantagem na espontânea, dado obviamente omitido das manchetes. Enquanto isso, professores experimentam mais uma vez a truculência do governo Serra, que reprimiu duramente manifestação de sexta-feira. Jornalista Leandro Fortes analisa foto que, segundo ele, ilustra bem o mundo bizarro do governador José Serra. (A foto é de Clayton de Souza, da Agência Estado).
Como explicar essa diferença entre os números da espontânea e da estimulada? Talvez um manuseio excessivamente entusiasmado na margem de erro da estimulada? Sabe-se lá...
Os professores e o "mundo bizarro de Serra”
A pesquisa Datafolha serve também, entre outras coisas, como uma antecipação da campanha de Serra aos problemas à sua imagem causados pela greve dos professores em São Paulo. Na sexta-feira, tropas de choque da Polícia Militar de São Paulo reprimiram uma nova manifestação dos grevistas, usando bombas de efeito moral e balas de borracha. Pelo menos 16 pessoas ficaram feridas. Se a matéria relativa à pesquisa tivesse uma foto para ilustrar o quadro por ela descrito, essa foto seria a da Agência Estado (acima), de que fala o jornalista Leandro Fortes, em seu blog Brasília, eu vi (ver abaixo). No final da noite de sexta, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP), divulgou nota oficial, condenando a truculência do governo Serra e pedindo, mais uma vez, a abertura de negociações com a categoria:
Os lamentáveis acontecimentos de hoje nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes, onde a truculenta polícia de José Serra deixou vários professores feridos, não vão calar a voz do magistério paulista em busca do atendimento de suas legítimas reivindicações salariais, profissionais e educacionais.
Bombas, truculência, ameaças e afrontas não nos intimidarão. Temos reivindicações e queremos negociação. Não nos ajoelharemos e não nos curvaremos à vontade deste governo. A greve continua!
Os acontecimentos da sexta-feira em São Paulo foram resumidos assim pelo jornalista Leandro Fortes em seu blog, Brasília eu vi:
Muito ainda se falará dessa foto de Clayton de Souza, da Agência Estado, por tudo que ela significa e dignifica, apesar do imenso paradoxo que encerra. A insolvência moral da política paulista gerou esse instantâneo estupendo, repleto de um simbolismo extremamente caro à natureza humana, cheio de amor e dor. Este professor que carrega o PM ferido é um quadro da arte absurda em que se transformou um governo sustentado artificialmente pela mídia e por coronéis do capital. É um mural multifacetado de significados, tudo resumido numa imagem inesquecível eternizada por um fotojornalista num momento solitário de glória. Ao desprezar o movimento grevista dos professores, ao debochar dos movimentos sociais e autorizar sua polícia a descer o cacete no corpo docente, José Serra conseguiu produzir, ao mesmo tempo, uma obra prima fotográfica, uma elegia à solidariedade humana e uma peça de campanha para Dilma Rousseff.
Inesquecível, Serra, inesquecível.
Fotos: Clayton de Souza/Agência Estado
Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16489
terça-feira, 23 de março de 2010
O surpreendente Lula
FHC, o farol, o sociólogo, entende tanto de sociologia quanto o governador de São Paulo, José Serra, entende de economia. ??.
Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores; que não entende de economia, pagou as contas de FHC, zerou a dívida com o FMI e ainda empresta algum aos ricos.
Lula, o "analfabeto", que não entende de educação, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos, e ainda criou o PROUNI, que leva o filho do pobre à universidade.
Lula, que não entende de finanças nem de contas públicas, elevou o salário mínimo de 64 para mais de 200 dólares, e não quebrou a previdência como queria FHC.
Lula, que não entende de psicologia, levantou o moral da Nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo. Embora o "PIG" – Partido da Imprensa Golpista, que entende de tudo, diga que não.
Lula, que não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de nada, reabilitou o Proálcool, acreditou no biodiesel e levou o país à liderança mundial de combustíveis renováveis.
Lula, que não entende de política, mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser respeitado e enterrou o G-8.
Lula, que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi sindicalista brucutu, mandou às favas a Alca, olhou para os parceiros do sul, especialmente para os vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista. Tem fácil trânsito junto a Chaves, Fidel, Obama, Evo etc. Bobo que é, cedeu a tudo e a todos.
Lula, que não entende de mulher nem de negro, colocou o primeiro negro no Supremo (desmoralizado por brancos), uma mulher no cargo de primeira ministra, e pode fazê-la sua sucessora.
Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.
Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de Keynes; criou o PAC, antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora de o Estado investir, e hoje o PAC é um amortecedor da crise.
Lula, que não entende de crise, mandou baixar o IPI e levou a indústria automobilística a bater recorde no trimestre.
Lula, que não entende de português nem de outra língua, tem fluência entre os líderes mundiais, é respeitado e citado entre as pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual.
Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um brucutu, já tinha empatia e relação direta com Bush – notada até pela imprensa americana – e agora tem a mesma empatia com Obama.
Lula, que não entende nada de sindicato, pois era apenas um agitador, é amigo do tal John Sweeny e entra na Casa Branca com credencial de negociador, lá, nos "States".
Lula, que não entende de geografia, pois não sabe interpretar um mapa, é ator da mudança geopolítica das Américas.
Lula, que não entende nada de diplomacia internacional, pois nunca estará preparado, age com sabedoria em todas as frentes e se torna interlocutor universal.
Lula, que não entende nada de história, pois é apenas um locutor de bravatas, faz história e será lembrado por um grande legado, dentro e fora do Brasil.
Lula, que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, pois é um pacifista ingênuo, já é cotado pelos palestinos para dialogar com Israel.
Lula, que não entende nada de nada, ainda é melhor que todos os outros que já tivemos.
Pedro R. Lima, professor
Fonte: http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=22717
segunda-feira, 22 de março de 2010
É hora de reduzir a jornada
*Artigo de Artur Henrique, presidente
da Central Única deTrabalhadores,
publicado no jornal O Globo.

Um dos resultados importantes que a redução da jornada vai trazer é mais oportunidade para o trabalhador e a trabalhadora investirem tempo em sua qualificação profissional e em sua educação formal. São frequentes as reclamações de empresários e trabalhadores de que a força de trabalho no Brasil carece de qualificação. Entre as medidas que precisam ser tomadas para superar esse problema está, sem dúvida nenhuma, a diminuição da jornada. Ou alguém supõe ser fácil combinar uma jornada de oito horas diárias e duas horas extras, mais o longo tempo que as pessoas gastam entre a casa e o trabalho, e o estudo? Em alguns casos esse obstáculo torna a equação absolutamente impossível. Queremos quatro horas semanais a menos de trabalho, que com inteligência e imaginação podem ser distribuídas ao longo da semana e produzir impactos positivos em diversas frentes. Como toda mudança, a jornada menor vai abrir novas discussões durante a sua consolidação — e seremos certamente capazes de encontrar boas soluções. Podemos imaginar, por exemplo, o impulso ao setor de comércio e serviços, proporcionado por mais tempo livre para o convívio familiar, para acultura e o lazer. Nada mais justo. Segundo a própria CNI (Confederação Nacionalda Indústria), a participação dos salários nos custos da indústria no Brasil é em média 22%. Portanto, a redução de 44 horas para 40 horas sem redução de salário representaria 9,09% de aumento nesses custos. Ou seja, um impacto de apenas 1,99% para as empresas. Por outro lado, de 1988 (último ano em que ocorreu a redução de jornada, de 48 para 44 horas) a 2008, a produtividade na indústria de transformação no Brasil segundo o IBGE foi de 84,24%. Fica fácil perceber que entre 1,99% e 84,24% existe um enorme espaço para reduzir a jornada sem reduzir os salários, mantendo a enorme lucratividade das empresas. Além de mostrar que a redução da jornada é um instrumento de distribuição dos ganhos de produtividade para o conjunto dos trabalhadores, não podemos deixar de mencionar que deve vir combinada com a remuneração adicional de 75% sobre as horas extras, sem o que a mudança poderia ser inócua em certos setores. Assim, a redução da jornada vai, de fato, proporcionar a abertura de novas vagas de trabalho. Serão 2,5 milhões com a redução e 1,2 milhão com a limitação das horas extras. O empresariado faria melhor encarando esse debate sem mistificações ou argumentos baseados no medo. O processo de organização sindical já conquistou as 40 horas para diversas categorias. Como a legislação de um país deve traduzir e refletir as conquistas sociais, está na hora de estender a mudança. Queremos quatro horas semanais a menos de trabalho.
*Artur Henrique é presidente da Central Única de Trabalhadores (CUT).
quarta-feira, 17 de março de 2010
Aprovação do governo Lula sobe para 75% e bate recorde
Desaprovação ao presidente caiu de 14% para 13%
A avaliação positiva do governo Lula subiu em março para 75%, segundo a pesquisa CNI/Ibope divulgada hoje. No levantamento anterior, o porcentual estava em 72%. O índice de hoje representa a mais alta avaliação positiva já registrada pela pesquisa.
De acordo com o levantamento, a avaliação regular do governo Lula recuou de 21% para 19%, enquanto a negativa caiu de 6% para 5%. As melhores avaliações do governo Lula foram feitas por homens. Em termos de idade, os melhores registros estavam na faixa de 30 a 39 anos. Por escolaridade, a aprovação era maior entre pessoas que têm entre a quinta e a oitava série do ensino fundamental. Por região, o destaque foi o Nordeste e, por renda, as famílias de até um salário mínimo.
A pesquisa mostrou ainda estabilidade na aprovação ao presidente Lula, de 83%, em relação à pesquisa anterior. Esta foi a primeira estabilidade após uma sequência de três altas.
A desaprovação ao presidente caiu de 14% para 13%. Já a confiança no presidente caiu de 78% para 77% na mesma comparação, enquanto 20% disseram que não confiam no presidente, ante 19% em novembro.
O porcentual de entrevistados que consideram o segundo mandato de Lula melhor que o primeiro aumentou de 46% para 49%. O total dos que consideram pior caiu de 13% para 9%. O porcentual de 9% é o mais baixo identificado pela pesquisa, que começou a ser feita há três anos. Já a parcela dos que avaliam que o segundo mandato é igual ao primeiro permaneceu estável, em 40%.
A pesquisa CNI/Ibope realizou 2.002 entrevistas em 140 municípios do Brasil, no período de 6 a 10 de março. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para cima ou para baixo.
Fonte: Agência Estado
A avaliação positiva do governo Lula subiu em março para 75%, segundo a pesquisa CNI/Ibope divulgada hoje. No levantamento anterior, o porcentual estava em 72%. O índice de hoje representa a mais alta avaliação positiva já registrada pela pesquisa.
De acordo com o levantamento, a avaliação regular do governo Lula recuou de 21% para 19%, enquanto a negativa caiu de 6% para 5%. As melhores avaliações do governo Lula foram feitas por homens. Em termos de idade, os melhores registros estavam na faixa de 30 a 39 anos. Por escolaridade, a aprovação era maior entre pessoas que têm entre a quinta e a oitava série do ensino fundamental. Por região, o destaque foi o Nordeste e, por renda, as famílias de até um salário mínimo.
A pesquisa mostrou ainda estabilidade na aprovação ao presidente Lula, de 83%, em relação à pesquisa anterior. Esta foi a primeira estabilidade após uma sequência de três altas.
A desaprovação ao presidente caiu de 14% para 13%. Já a confiança no presidente caiu de 78% para 77% na mesma comparação, enquanto 20% disseram que não confiam no presidente, ante 19% em novembro.
O porcentual de entrevistados que consideram o segundo mandato de Lula melhor que o primeiro aumentou de 46% para 49%. O total dos que consideram pior caiu de 13% para 9%. O porcentual de 9% é o mais baixo identificado pela pesquisa, que começou a ser feita há três anos. Já a parcela dos que avaliam que o segundo mandato é igual ao primeiro permaneceu estável, em 40%.
A pesquisa CNI/Ibope realizou 2.002 entrevistas em 140 municípios do Brasil, no período de 6 a 10 de março. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para cima ou para baixo.
Fonte: Agência Estado
terça-feira, 16 de março de 2010
Dia Internacional da Mulher: pra conhecer, e jamais esquecer de Sônia Maria de Moraes Angel Jones
No dia 08 de março foi comemorado mais um Dia Internacional da Mulher. Em razão disso, o Partido dos Trabalhadores vai contar uma história que por um lado nos orgulha - pela luta desta mulher que nasceu bem aqui em nosso município, Santiago -, mas que por outro nos entristece muito mais, pelo fim que teve. Apesar de poucos saberem, Sônia Maria de Moraes Angel Jones é santiaguense. Parte de sua vida é retratada no filme Zuzu Angel, que pode ser encontrado em locadoras locais. Abaixo vai um texto que, mais do que informar, é um convite à reflexão, à inquietação... Remonta a um período de nosso Brasil que, podemos dizer, foi “ontem”.
Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).
Nasceu em 9 de novembro de 1946, em Santiago do Boqueirão, Estado do Rio Grande do Sul, filha de João Luiz Moraes e Cléa Lopes de Moraes.
Foi morta aos 27 anos em 1973, em São Paulo.
Estudou no colégio de Aplicação da antiga Faculdade Nacional de Filosofia e, posteriormente, na Faculdade de Economia e Administração da UFRJ, mas não chegou a se formar, sendo desligada pelo Decreto nº477, de 24 de setembro de 1969.
No Rio, trabalhava como professora de Português no Curso Goiás.
Casou-se, em 18 de agosto de 1968, com Stuart Edgar Angel Jones, militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).
Em 1° de Maio de 1969, foi presa por ocasião das manifestações de rua na Praça Tiradentes/RJ com mais três estudantes, levada para o DOPS e, posteriormente, para o Presídio Feminino São Judas Tadeu. Somente foi libertada em 6 de agosto de 1969, quando foi julgada e absolvida por unanimidade pelo Superior Tribunal Militar. Passou a viver na clandestinidade.
Em maio de 1970 exilou-se na França, onde se matriculou na Universidade de Vincennes e, para se sustentar, trabalhou na Escola de Línguas Berlitz, em Paris, onde lecionava Português.
Com a prisão e desaparecimento de Stuart pelos órgãos brasileiros de repressão política, Sônia decidiu voltar ao Brasil para retomar a luta de resistência. Ingressou na ALN e viajou para o Chile, onde trabalhava como fotógrafa. Posteriormente, em maio de 1973, retornou clandestinamente ao Brasil, indo morar em São Paulo. Em 15 de novembro de 1973 alugou um apartamento em São Vicente, junto com Antônio Carlos Bicalho Lana, com quem se unira. Seu apartamento passou a ser vigiado, sendo presa, juntamente com Antônio Carlos, no mesmo mês, por agentes do DOI-CODI/SP, tendo o II Exército divulgado a notícia de que morrera, após combate, a caminho do hospital (O globo 1º de dezembro de 1973).
Foi assassinada sob torturas no dia 30 de novembro de 1973, juntamente com Antônio Carlos Bicalho Lana.
A autópsia assinada pelos legistas Harry Shibata e Antônio Valentine, apenas descreve as perfurações das balas, sem nada mencionar das torturas sofridas. Afirmam que o crânio sofreu corte característico da autópsia e que examinaram detidamente o corpo.
Durante quase vinte anos a família investigou os fatos relacionados à prisão, tortura e assassinato de Sônia e Antônio Carlos.
Como resultado dessas investigações, a família produziu o vídeo “Sônia Morta e Viva”, dirigido por Sérgio Waismann.
A prisão do casal, em São Vicente, foi detalhadamente planejada, como constatou sua família, durante as investigações junto aos empregados do prédio em que Sônia e Antônio Carlos moravam. Ela costumava, assim que se mudou, tomar banho de sol numa prainha ligada ao prédio e, desde então era observada de um prédio próximo por agentes policiais, através de uma luneta. Dias depois, os mesmos agentes comunicaram aos empregados do prédio que moravam ali dois terroristas muito perigosos e para justificar tal afirmativa “empregaram-se” como funcionários do prédio e passaram a observá-los mais de perto. Certa manhã, bem cedo, quando Antônio Carlos e Sônia pegaram o ônibus da Empresa Zefir, já havia dentro do ônibus alguns agentes, inclusive uma senhora vestida de vermelho. Ao mesmo tempo, nas imediações da agência do Canal 1, São Vicente, já se encontravam vários agentes à espera de que um deles, pelo menos, descesse para adquirir passagens, pois as mesmas não eram vendidas no ônibus. Até hoje, a família não pôde precisar o dia exato da prisão, possivelmente num sábado, depois do dia 15 de novembro, fato este testemunhado por Celso Pimenta, motorista do ônibus, e Ozéas de Oliveira, vendedor de bilhetes, ambos da Agência Zefir.
Existem duas versões a respeito da prisão, tortura e assassinato de Sônia e Antônio Carlos.
A versão do primo do pai de Sônia, coronel Canrobert Lopes da Costa, ex-comandante do DOI-CODI de Brasília, amigo pessoal do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-CODI de São Paulo: depois de presa, do DOI-CODI de São Paulo foi mandada para o DOI-CODI do Rio de Janeiro, onde foi torturada, estuprada com um cassetete e mandada de volta a São Paulo, já exangüe, onde recebeu dois tiros.
A versão do Sargento Marival Chaves, membro deo DOI-CODI/SP: Sônia e Antônio Carlos foram presos e levados para uma casa de tortura na Zona Sul de São Paulo onde ficaram de cinco a dez dias, até morrerem, dia 30 de novembro de 73 e foram colocados, no mesmo dia, à porta do DOI-CODI/SP, para servir de exemplo. Ao mesmo tempo, foi montado um “teatrinho” – termo usado pelo sargento – para justificar a versão oficial de que foram mortos em conseqüência de tiroteio, no mesmo dia 30 (metralharam com tiros de festim um casal e os colocaram imediatamente num carro).
Versão oficial publicada dia 1° de dezembro de 1973 em dois jornais: “O Globo” e “O Estado de São Paulo”: Morte de Sônia e Antônio Carlos, a caminho do Hospital, após tiroteio em confronto com os agentes de segurança, na Avenida de Pinedo, no Bairro de Santo Amaro, cidade de São Paulo, altura do n° 836, às 15 horas.
No arquivo do antigo DOPS/SP foi encontrado um documento da Polícia Civil de São Paulo-Divisão de Informações CPI/DOPS/SP que diz: “Consta arquivado nesta divisão uma cópia xerográfica do Laudo de Exame Necroscópico referente à epigrafada com data de 20 de novembro de 1973.” (Teve o laudo assinado antes de morrer?).
Apesar de haverem identificado Sônia Maria, os seus assassinos enterraram-na, como indigente, no Cemitério Dom Bosco, em Perús, sob o nome de Esmeralda Siqueira Aguiar. A troca proposital do nome de Sônia, demonstra a clara tentativa dos órgãos de repressão em esconder seu cadáver. A família de Sônia conseguiu obter através de processo de número 1483/79 na 1ª Vara Civil de São Paulo, a correção de identidade e retificação do Registro de Óbito.
Oficialmente morta, a família pôde transladar seus restos mortais para o Rio de Janeiro, em 1981.
Em 1982, na tentativa de apuração das reais circunstâncias da morte de Sônia, através de processo movido contra Harry Shibata, médico do IML/SP que atesta sua morte (inclusive assinando o atestado de óbito sob o nome falso e o laudo com nome verdadeiro), o IML/RJ constatou que os ossos entregues à família, enterrados no Rio de Janeiro, eram de um homem.
Para sepultar dignamente os restos mortais de Sônia, a família teve que fazer várias exumações, que chegaram a seis. A última exumação apresentava um crânio, sem o corte característico de autópsia e a família não aceitou os restos mortais, por desconfiar que seria mais um engano do Instituto Médico Legal de S. Paulo.
Em um de seus depoimentos à CPI realizada na Câmara Municipal de S. Paulo, Harry Shibata declarou que a descrição feita no laudo necroscópico de que houve corte de crânio, não corresponde à verdade, uma vez que essa descrição é apenas uma questão de praxe. Assim declarando, assumiu a farsa com que eram feitos os laudos.
Após serem identificados pela UNICAMP, seu restos mortais, finalmente, foram trasladados para o Rio de Janeiro no dia 11 de agosto de 1991.
De seu pai, o Tenente-Coronel da Reserva do Exército Brasileiro e professor de matemática, João Luiz de Morais:
“Sônia Maria Lopes de Moraes, minha filha, teve seu nome mudado após o seu casamento com Stuart Edgar Angel Jones, para Sônia Maria de Moraes Angel Jones. Ambos foram torturados e assassinados por agentes da repressão política, ele em 1971 e ela em 1973. Minha filha foi morta nas dependências do Exército Brasileiro, enquanto seu marido Stuart Edgar Angel Jones foi morto nas dependências da Aeronáutica do Brasil.Tenho conhecimento de que, nas dependências do DOI-CODI do I Exército, minha filha foi torturada durante 48 horas, culminando estas torturas com a introdução de um cassetete da Polícia do Exército em seus órgãos genitais, que provocou hemorragia interna.
Após estas torturas, minha filha foi conduzida para as dependências do DOI-CODI do II Exército, local em que novas torturas lhe foram aplicadas, inclusive com arrancamento de seus seios. Seu corpo ficou mutilado de tal forma, a ponto de um general em São Paulo ter ficado tão revoltado, tendo arrancado suas insígnias e as atirado sobre a mesa do Comandante do II Exército, tendo sido punido por esse ato. Procedi a várias investigações em São Paulo, visando a aferição desses fatos, inclusive tentando manter contato, porém sem êxito, com esse General, tendo tido notícia de que o mesmo sofrera derrame cerebral, estava passando mal e de que sua família se opunha a qualquer contato e a qualquer referência aos fatos relativos a Sônia Maria.
As informações sobre as torturas, o estupro, o arrancamento dos seios de Sônia Maria e os tiros, me foram prestadas pessoalmente pelo coronel Canrobert Lopes da Costa e pelo advogado Dr. José Luiz Sobral. Minha filha, em sua militância política, utilizava o nome de Esmeralda Siqueira Aguiar. Em 1° de dezembro de 1973, ao ler no Jornal “O Globo” vi uma notícia sobre Esmeralda Siqueira Aguiar. Viajei imediatamente em companhia de minha mulher Cléa, de minha cunhada Edy, de minha outra filha, Ângela, e de meu futuro genro, Sérgio, para a cidade de São Vicente, dirigindo-me diretamente para a Rua Saldanha da Gama, 163, apto. 301, local onde residia Sônia Maria. Ao chegar a esse local, à noite, encontrei-o ocupado por alguns homens, em torno de 5 (cinco) ao que me recordo, membros das Forças da Segurança. Ao me recusar entregar minha carteira de identidade, cheguei a ser agredido. Após ter sido agredido, ameaçado de ser atirado do 3°andar e de ser metralhado por esses homens, consegui comunicar-me com o superior-de-dia do II Exército, em São Paulo, quando então, após identificar-me como Tenente-Coronel, consegui deste uma determinação por telefone diretamente a um dos 5 membros das Forças da Segurança, que me libertassem, mediante o compromisso de dirigir-me para um hotel em São Paulo, onde fiquei juntamente com minha mulher à disposição do II Exército e no dia seguinte prestei depoimentos no DOI-CODI.
Durante esse depoimento, indaguei aos interrogadores a respeito do paradeiro do corpo de minha filha, sendo que um destes respondeu que o corpo só poderia ser visto com a autorização do Comandante do II Exército.
Na tarde desse mesmo dia, viajei para o Rio de Janeiro em companhia de minha mulher para conversar com meu amigo, General Décio Palmeiro Escobar, Chefe do Estado Maior do Exército, já falecido, o qual me deu uma carta para ser entregue ao General Humberto de Souza Mello, carta essa em que o General Décio pedia “ao ilustre companheiro e amigo” que me liberasse, assim como minha mulher, de São Paulo, pois necessitávamos permanecer no Rio, onde dirigíamos um Colégio, bem como fosse liberado o corpo de Sônia para um sepultamento cristão.
Regressando a São Paulo em companhia de minha mulher, no dia seguinte, dirigi-me ao Quartel do II Exército para entregar a mencionada carta, sendo certo que o General Humberto não quis receber-me, e a carta foi levada pelo então Coronel Hugo Flávio Lima da Rocha, que, ao voltar do gabinete do General, deu a seguinte resposta: “o General manda te dizer que, por causa desta carta, você está preso a partir deste momento” e, como seu velho companheiro de Realengo, faço questão de, pessoalmente, levá-lo para o Batalhão da Polícia do Exército. No Batalhão da Polícia do Exército, fiquei preso durante 4 (quatro) dias, vindo a ser liberado, sem maiores explicações mas com a recomendação de que “regressasse ao Rio, nada falasse, não pusesse advogado e aguardasse em casa o atestado de óbito de Sônia que seria remetido pelo II Exército e, quanto ao corpo, não poderia vê-lo pois havia sido sepultado”.
Somente decorridos muitos anos pude entender minha prisão, ou seja, naqueles dias Sônia Maria ainda estava viva e sendo torturada e, na medida em que era mantido preso, era possível evitar minha interferência, ao mesmo tempo que, com essa prisão, buscavam amedrontar toda a família.
Apesar do desespero, das ameaças e do conseqüente apavoramento, a família continuou insistindo em conhecer os detalhes sobre a morte de Sônia Maria e, nessa procura, o referido advogado, José Luiz Sobral, que se dizia amigo comum da família e do General Adir Fiúza de Castro, então Comandante do DOI-CODI do Rio de Janeiro, prontificou-se em obter esclarecimentos diretamente com esse General. O Dr. José Luiz Sobral, ao retornar das dependências do DOI-CODI do I Exército, claudicava um pouco, e insinuava ‘ter levado umas cassetadas’, trazendo-me um presente inusitado: um cassetete da Polícia do Exército, mandado pessoalmente pelo General Fiúza para a família, com a recomendação que não falasse mais sobre o assunto, pois ‘todos estavam falando demais’.
Na ocasião, a família guardou o cassetete sem lhe dar maior importância e só recentemente, há uns 2 (dois) anos, é que pude fazer a interligação dos acontecimentos, ou seja, conclui estarrecido que o verdadeiro significado desse presente é que o mesmo General Fiúza nos enviava, como advertência, o próprio instrumento que provocara a morte de Sônia Maria. Este cassetete se encontra em meu poder, podendo ser apresentado a qualquer tempo.
A partir da morte de Sônia, todo final de semestre, nas Declarações de Herdeiros que prestava ao Ministério do Exército, colocava Sônia Maria Lopes de Moraes como minha herdeira, assinalando sempre que ‘presumivelmente morta pelas Forças de Segurança do II Exército, deixo de apresentar a certidão de óbito porque não me foi fornecida ainda pelo II Exército, conforme prometido’. Essas declarações causavam mal-estar entre os militares, tendo sido aconselhado pelo chefe da pagadoria do Exército a requerer a certidão diretamente ao Comandante do II Exército. Apresentado o requerimento, em setembro de 1978, recebi uma correspondência onde o General Dilermando Gomes Monteiro, então Comandante do II Exército, afirmava que ‘não cabe ao II Exército fornecer o atestado solicitado. No Cartório de Registro Civil do 20° Sub Distrito - Jardim América/SP, foi registrado o óbito de Esmeralda Siqueira Aguiar, filha de Renato A. Aguiar e de Lucia Lima Aguiar. O requerente procure o Cartório em causa, se assim o desejar.’ O documento acrescentava, ainda, que ‘mandara retirar do Cartório referido, por pessoa indiscriminada, uma certidão de óbito registrada, que fora fornecida sem qualquer problema’. A referida correspondência, subscrita pelo Comandante do II Exército, foi o primeiro reconhecimento oficial da morte de Sônia Maria. Apesar de ter requerido o atestado de óbito em nome de Sônia Maria Lopes de Moraes, a resposta do Comandante do II Exército foi a entrega de uma certidão de óbito em nome de Esmeralda Siqueira Aguiar. Tempos depois da entrega desse atestado de óbito, tomei conhecimento de um outro documento, ‘Auto de Exibição e Apreensão’, datado de 30 de novembro de 1973, em cujo verso há uma nota do DOI-CODI do II Exército, onde, no final, consta um ‘em tempo: material encontrado em poder de Esmeralda Siqueira Aguiar, cujo nome verdadeiro é Sônia Maria Lopes de Moraes.
No Cemitério de Perus, consegui encontrar o registro de sepultamento de Esmeralda Siqueira Aguiar, na Quadra 7, Gleba 2, Terreno 486, com algumas rasuras, em datas principalmente. Nessa oportunidade, os ossos de Sônia não podiam ser exumados porque estava sepultado na parte de cima um outro cadáver. Tivemos que aguardar ainda 3 (três) anos para a pretendida exumação, ocorrida em 16 de maio de 1981. Nessa ocasião reclamei das divergências existentes entre o que constava do laudo assinado pelos legistas Harry Shibata e Antônio Valentine e a realidade da ossada retirada, pois, ao contrário do que constava nesse laudo, o crânio que seria o de Sônia não apresentava nenhum orifício de entrada ou saída de projétil de arma de fogo e estava inteiro. Apesar dessas discrepâncias, levamos os ossos para o Rio de Janeiro, sepultando-os no Cemitério Jardim da Saudade, mais precisamente no Lote 18874, Espaço B, Setor IV, e, durante um ano, todos os sábados, juntamente com minha mulher, ia ao Cemitério e levava flores em homenagem a minha filha.
Além da ação proposta na I Vara de Registros Públicos para retificação de identidade, intentamos outra na Auditoria Militar de São Paulo, pleiteando a abertura de IPM para averiguar as verdadeiras causas da morte de minha filha, bem como a falsidade da certidão e laudo assinados por Harry Shibata e Antonio Valentine. Esse processo, na Auditoria Militar, teve seu curso normal até que o Comandante da II Região Militar, General Alvir Souto se negou a cumprir determinação do Juiz para a abertura de IPM, alegando insuficiência de provas.
Nessa ocasião a Juíza Dra. Sheila de Albuquerque Bierrembach determinou a exumação dos restos mortais sepultados no Cemitério Jardim da Saudade, bem como o seu exame pelo IML do Rio de Janeiro, constatando esse Instituto que aquela ossada não pertencia a Sônia, mas sim a um homem, negro, de aproximadamente 33 anos de idade.
Diante do estranho resultado dessa última exumação, a mesma Juíza Sheila Bierrenbach determinou que se fizessem, no Cemitério de Perus, tantas exumações quantas fossem necessárias até serem encontrados os restos mortais de Sônia Maria. Nessa busca, participei juntamente com minha mulher, familiares e amigos ainda de mais 4 exumações nesse mesmo Cemitério de Perus. Terminada a última dessas exumações foi encontrada uma ossada, que poderia ser a de Sônia. Porém, o crânio encontrado também não estava seccionado e os orifícios de entrada e saída de projéteis não coincidiam inteiramente com o laudo. Não tínhamos então a ficha dentária de Sônia, que havia sido perdida por seu dentista no Rio de Janeiro, Dr. Lauro Sued. Não tínhamos elementos de convicção para aceitar aqueles restos mortais como sendo os de Sônia e, por isso, tentamos impugnar as conclusões do IML de São Paulo, apresentando 11 quesitos e 10 fotografias do crânio de Sônia quando esta tinha 11 anos de idade. A juíza, Dra. Sheila, finalmente, aceitou a conclusão do IML de São Paulo, no sentido de que aqueles eram, oficialmente, os restos mortais de Sônia Maria de Moraes Angel Jones.”
Fonte: http://www.torturanuncamais-rj.org.br/MDDetalhes.asp?CodMortosDesaparecidos=167
Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).
Nasceu em 9 de novembro de 1946, em Santiago do Boqueirão, Estado do Rio Grande do Sul, filha de João Luiz Moraes e Cléa Lopes de Moraes.
Foi morta aos 27 anos em 1973, em São Paulo.
Estudou no colégio de Aplicação da antiga Faculdade Nacional de Filosofia e, posteriormente, na Faculdade de Economia e Administração da UFRJ, mas não chegou a se formar, sendo desligada pelo Decreto nº477, de 24 de setembro de 1969.
No Rio, trabalhava como professora de Português no Curso Goiás.
Casou-se, em 18 de agosto de 1968, com Stuart Edgar Angel Jones, militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).
Em 1° de Maio de 1969, foi presa por ocasião das manifestações de rua na Praça Tiradentes/RJ com mais três estudantes, levada para o DOPS e, posteriormente, para o Presídio Feminino São Judas Tadeu. Somente foi libertada em 6 de agosto de 1969, quando foi julgada e absolvida por unanimidade pelo Superior Tribunal Militar. Passou a viver na clandestinidade.
Em maio de 1970 exilou-se na França, onde se matriculou na Universidade de Vincennes e, para se sustentar, trabalhou na Escola de Línguas Berlitz, em Paris, onde lecionava Português.
Com a prisão e desaparecimento de Stuart pelos órgãos brasileiros de repressão política, Sônia decidiu voltar ao Brasil para retomar a luta de resistência. Ingressou na ALN e viajou para o Chile, onde trabalhava como fotógrafa. Posteriormente, em maio de 1973, retornou clandestinamente ao Brasil, indo morar em São Paulo. Em 15 de novembro de 1973 alugou um apartamento em São Vicente, junto com Antônio Carlos Bicalho Lana, com quem se unira. Seu apartamento passou a ser vigiado, sendo presa, juntamente com Antônio Carlos, no mesmo mês, por agentes do DOI-CODI/SP, tendo o II Exército divulgado a notícia de que morrera, após combate, a caminho do hospital (O globo 1º de dezembro de 1973).
Foi assassinada sob torturas no dia 30 de novembro de 1973, juntamente com Antônio Carlos Bicalho Lana.
A autópsia assinada pelos legistas Harry Shibata e Antônio Valentine, apenas descreve as perfurações das balas, sem nada mencionar das torturas sofridas. Afirmam que o crânio sofreu corte característico da autópsia e que examinaram detidamente o corpo.
Durante quase vinte anos a família investigou os fatos relacionados à prisão, tortura e assassinato de Sônia e Antônio Carlos.
Como resultado dessas investigações, a família produziu o vídeo “Sônia Morta e Viva”, dirigido por Sérgio Waismann.
A prisão do casal, em São Vicente, foi detalhadamente planejada, como constatou sua família, durante as investigações junto aos empregados do prédio em que Sônia e Antônio Carlos moravam. Ela costumava, assim que se mudou, tomar banho de sol numa prainha ligada ao prédio e, desde então era observada de um prédio próximo por agentes policiais, através de uma luneta. Dias depois, os mesmos agentes comunicaram aos empregados do prédio que moravam ali dois terroristas muito perigosos e para justificar tal afirmativa “empregaram-se” como funcionários do prédio e passaram a observá-los mais de perto. Certa manhã, bem cedo, quando Antônio Carlos e Sônia pegaram o ônibus da Empresa Zefir, já havia dentro do ônibus alguns agentes, inclusive uma senhora vestida de vermelho. Ao mesmo tempo, nas imediações da agência do Canal 1, São Vicente, já se encontravam vários agentes à espera de que um deles, pelo menos, descesse para adquirir passagens, pois as mesmas não eram vendidas no ônibus. Até hoje, a família não pôde precisar o dia exato da prisão, possivelmente num sábado, depois do dia 15 de novembro, fato este testemunhado por Celso Pimenta, motorista do ônibus, e Ozéas de Oliveira, vendedor de bilhetes, ambos da Agência Zefir.
Existem duas versões a respeito da prisão, tortura e assassinato de Sônia e Antônio Carlos.
A versão do primo do pai de Sônia, coronel Canrobert Lopes da Costa, ex-comandante do DOI-CODI de Brasília, amigo pessoal do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-CODI de São Paulo: depois de presa, do DOI-CODI de São Paulo foi mandada para o DOI-CODI do Rio de Janeiro, onde foi torturada, estuprada com um cassetete e mandada de volta a São Paulo, já exangüe, onde recebeu dois tiros.
A versão do Sargento Marival Chaves, membro deo DOI-CODI/SP: Sônia e Antônio Carlos foram presos e levados para uma casa de tortura na Zona Sul de São Paulo onde ficaram de cinco a dez dias, até morrerem, dia 30 de novembro de 73 e foram colocados, no mesmo dia, à porta do DOI-CODI/SP, para servir de exemplo. Ao mesmo tempo, foi montado um “teatrinho” – termo usado pelo sargento – para justificar a versão oficial de que foram mortos em conseqüência de tiroteio, no mesmo dia 30 (metralharam com tiros de festim um casal e os colocaram imediatamente num carro).
Versão oficial publicada dia 1° de dezembro de 1973 em dois jornais: “O Globo” e “O Estado de São Paulo”: Morte de Sônia e Antônio Carlos, a caminho do Hospital, após tiroteio em confronto com os agentes de segurança, na Avenida de Pinedo, no Bairro de Santo Amaro, cidade de São Paulo, altura do n° 836, às 15 horas.
No arquivo do antigo DOPS/SP foi encontrado um documento da Polícia Civil de São Paulo-Divisão de Informações CPI/DOPS/SP que diz: “Consta arquivado nesta divisão uma cópia xerográfica do Laudo de Exame Necroscópico referente à epigrafada com data de 20 de novembro de 1973.” (Teve o laudo assinado antes de morrer?).
Apesar de haverem identificado Sônia Maria, os seus assassinos enterraram-na, como indigente, no Cemitério Dom Bosco, em Perús, sob o nome de Esmeralda Siqueira Aguiar. A troca proposital do nome de Sônia, demonstra a clara tentativa dos órgãos de repressão em esconder seu cadáver. A família de Sônia conseguiu obter através de processo de número 1483/79 na 1ª Vara Civil de São Paulo, a correção de identidade e retificação do Registro de Óbito.
Oficialmente morta, a família pôde transladar seus restos mortais para o Rio de Janeiro, em 1981.
Em 1982, na tentativa de apuração das reais circunstâncias da morte de Sônia, através de processo movido contra Harry Shibata, médico do IML/SP que atesta sua morte (inclusive assinando o atestado de óbito sob o nome falso e o laudo com nome verdadeiro), o IML/RJ constatou que os ossos entregues à família, enterrados no Rio de Janeiro, eram de um homem.
Para sepultar dignamente os restos mortais de Sônia, a família teve que fazer várias exumações, que chegaram a seis. A última exumação apresentava um crânio, sem o corte característico de autópsia e a família não aceitou os restos mortais, por desconfiar que seria mais um engano do Instituto Médico Legal de S. Paulo.
Em um de seus depoimentos à CPI realizada na Câmara Municipal de S. Paulo, Harry Shibata declarou que a descrição feita no laudo necroscópico de que houve corte de crânio, não corresponde à verdade, uma vez que essa descrição é apenas uma questão de praxe. Assim declarando, assumiu a farsa com que eram feitos os laudos.
Após serem identificados pela UNICAMP, seu restos mortais, finalmente, foram trasladados para o Rio de Janeiro no dia 11 de agosto de 1991.
De seu pai, o Tenente-Coronel da Reserva do Exército Brasileiro e professor de matemática, João Luiz de Morais:
“Sônia Maria Lopes de Moraes, minha filha, teve seu nome mudado após o seu casamento com Stuart Edgar Angel Jones, para Sônia Maria de Moraes Angel Jones. Ambos foram torturados e assassinados por agentes da repressão política, ele em 1971 e ela em 1973. Minha filha foi morta nas dependências do Exército Brasileiro, enquanto seu marido Stuart Edgar Angel Jones foi morto nas dependências da Aeronáutica do Brasil.Tenho conhecimento de que, nas dependências do DOI-CODI do I Exército, minha filha foi torturada durante 48 horas, culminando estas torturas com a introdução de um cassetete da Polícia do Exército em seus órgãos genitais, que provocou hemorragia interna.
Após estas torturas, minha filha foi conduzida para as dependências do DOI-CODI do II Exército, local em que novas torturas lhe foram aplicadas, inclusive com arrancamento de seus seios. Seu corpo ficou mutilado de tal forma, a ponto de um general em São Paulo ter ficado tão revoltado, tendo arrancado suas insígnias e as atirado sobre a mesa do Comandante do II Exército, tendo sido punido por esse ato. Procedi a várias investigações em São Paulo, visando a aferição desses fatos, inclusive tentando manter contato, porém sem êxito, com esse General, tendo tido notícia de que o mesmo sofrera derrame cerebral, estava passando mal e de que sua família se opunha a qualquer contato e a qualquer referência aos fatos relativos a Sônia Maria.
As informações sobre as torturas, o estupro, o arrancamento dos seios de Sônia Maria e os tiros, me foram prestadas pessoalmente pelo coronel Canrobert Lopes da Costa e pelo advogado Dr. José Luiz Sobral. Minha filha, em sua militância política, utilizava o nome de Esmeralda Siqueira Aguiar. Em 1° de dezembro de 1973, ao ler no Jornal “O Globo” vi uma notícia sobre Esmeralda Siqueira Aguiar. Viajei imediatamente em companhia de minha mulher Cléa, de minha cunhada Edy, de minha outra filha, Ângela, e de meu futuro genro, Sérgio, para a cidade de São Vicente, dirigindo-me diretamente para a Rua Saldanha da Gama, 163, apto. 301, local onde residia Sônia Maria. Ao chegar a esse local, à noite, encontrei-o ocupado por alguns homens, em torno de 5 (cinco) ao que me recordo, membros das Forças da Segurança. Ao me recusar entregar minha carteira de identidade, cheguei a ser agredido. Após ter sido agredido, ameaçado de ser atirado do 3°andar e de ser metralhado por esses homens, consegui comunicar-me com o superior-de-dia do II Exército, em São Paulo, quando então, após identificar-me como Tenente-Coronel, consegui deste uma determinação por telefone diretamente a um dos 5 membros das Forças da Segurança, que me libertassem, mediante o compromisso de dirigir-me para um hotel em São Paulo, onde fiquei juntamente com minha mulher à disposição do II Exército e no dia seguinte prestei depoimentos no DOI-CODI.
Durante esse depoimento, indaguei aos interrogadores a respeito do paradeiro do corpo de minha filha, sendo que um destes respondeu que o corpo só poderia ser visto com a autorização do Comandante do II Exército.
Na tarde desse mesmo dia, viajei para o Rio de Janeiro em companhia de minha mulher para conversar com meu amigo, General Décio Palmeiro Escobar, Chefe do Estado Maior do Exército, já falecido, o qual me deu uma carta para ser entregue ao General Humberto de Souza Mello, carta essa em que o General Décio pedia “ao ilustre companheiro e amigo” que me liberasse, assim como minha mulher, de São Paulo, pois necessitávamos permanecer no Rio, onde dirigíamos um Colégio, bem como fosse liberado o corpo de Sônia para um sepultamento cristão.
Regressando a São Paulo em companhia de minha mulher, no dia seguinte, dirigi-me ao Quartel do II Exército para entregar a mencionada carta, sendo certo que o General Humberto não quis receber-me, e a carta foi levada pelo então Coronel Hugo Flávio Lima da Rocha, que, ao voltar do gabinete do General, deu a seguinte resposta: “o General manda te dizer que, por causa desta carta, você está preso a partir deste momento” e, como seu velho companheiro de Realengo, faço questão de, pessoalmente, levá-lo para o Batalhão da Polícia do Exército. No Batalhão da Polícia do Exército, fiquei preso durante 4 (quatro) dias, vindo a ser liberado, sem maiores explicações mas com a recomendação de que “regressasse ao Rio, nada falasse, não pusesse advogado e aguardasse em casa o atestado de óbito de Sônia que seria remetido pelo II Exército e, quanto ao corpo, não poderia vê-lo pois havia sido sepultado”.
Somente decorridos muitos anos pude entender minha prisão, ou seja, naqueles dias Sônia Maria ainda estava viva e sendo torturada e, na medida em que era mantido preso, era possível evitar minha interferência, ao mesmo tempo que, com essa prisão, buscavam amedrontar toda a família.
Apesar do desespero, das ameaças e do conseqüente apavoramento, a família continuou insistindo em conhecer os detalhes sobre a morte de Sônia Maria e, nessa procura, o referido advogado, José Luiz Sobral, que se dizia amigo comum da família e do General Adir Fiúza de Castro, então Comandante do DOI-CODI do Rio de Janeiro, prontificou-se em obter esclarecimentos diretamente com esse General. O Dr. José Luiz Sobral, ao retornar das dependências do DOI-CODI do I Exército, claudicava um pouco, e insinuava ‘ter levado umas cassetadas’, trazendo-me um presente inusitado: um cassetete da Polícia do Exército, mandado pessoalmente pelo General Fiúza para a família, com a recomendação que não falasse mais sobre o assunto, pois ‘todos estavam falando demais’.
Na ocasião, a família guardou o cassetete sem lhe dar maior importância e só recentemente, há uns 2 (dois) anos, é que pude fazer a interligação dos acontecimentos, ou seja, conclui estarrecido que o verdadeiro significado desse presente é que o mesmo General Fiúza nos enviava, como advertência, o próprio instrumento que provocara a morte de Sônia Maria. Este cassetete se encontra em meu poder, podendo ser apresentado a qualquer tempo.
A partir da morte de Sônia, todo final de semestre, nas Declarações de Herdeiros que prestava ao Ministério do Exército, colocava Sônia Maria Lopes de Moraes como minha herdeira, assinalando sempre que ‘presumivelmente morta pelas Forças de Segurança do II Exército, deixo de apresentar a certidão de óbito porque não me foi fornecida ainda pelo II Exército, conforme prometido’. Essas declarações causavam mal-estar entre os militares, tendo sido aconselhado pelo chefe da pagadoria do Exército a requerer a certidão diretamente ao Comandante do II Exército. Apresentado o requerimento, em setembro de 1978, recebi uma correspondência onde o General Dilermando Gomes Monteiro, então Comandante do II Exército, afirmava que ‘não cabe ao II Exército fornecer o atestado solicitado. No Cartório de Registro Civil do 20° Sub Distrito - Jardim América/SP, foi registrado o óbito de Esmeralda Siqueira Aguiar, filha de Renato A. Aguiar e de Lucia Lima Aguiar. O requerente procure o Cartório em causa, se assim o desejar.’ O documento acrescentava, ainda, que ‘mandara retirar do Cartório referido, por pessoa indiscriminada, uma certidão de óbito registrada, que fora fornecida sem qualquer problema’. A referida correspondência, subscrita pelo Comandante do II Exército, foi o primeiro reconhecimento oficial da morte de Sônia Maria. Apesar de ter requerido o atestado de óbito em nome de Sônia Maria Lopes de Moraes, a resposta do Comandante do II Exército foi a entrega de uma certidão de óbito em nome de Esmeralda Siqueira Aguiar. Tempos depois da entrega desse atestado de óbito, tomei conhecimento de um outro documento, ‘Auto de Exibição e Apreensão’, datado de 30 de novembro de 1973, em cujo verso há uma nota do DOI-CODI do II Exército, onde, no final, consta um ‘em tempo: material encontrado em poder de Esmeralda Siqueira Aguiar, cujo nome verdadeiro é Sônia Maria Lopes de Moraes.
No Cemitério de Perus, consegui encontrar o registro de sepultamento de Esmeralda Siqueira Aguiar, na Quadra 7, Gleba 2, Terreno 486, com algumas rasuras, em datas principalmente. Nessa oportunidade, os ossos de Sônia não podiam ser exumados porque estava sepultado na parte de cima um outro cadáver. Tivemos que aguardar ainda 3 (três) anos para a pretendida exumação, ocorrida em 16 de maio de 1981. Nessa ocasião reclamei das divergências existentes entre o que constava do laudo assinado pelos legistas Harry Shibata e Antônio Valentine e a realidade da ossada retirada, pois, ao contrário do que constava nesse laudo, o crânio que seria o de Sônia não apresentava nenhum orifício de entrada ou saída de projétil de arma de fogo e estava inteiro. Apesar dessas discrepâncias, levamos os ossos para o Rio de Janeiro, sepultando-os no Cemitério Jardim da Saudade, mais precisamente no Lote 18874, Espaço B, Setor IV, e, durante um ano, todos os sábados, juntamente com minha mulher, ia ao Cemitério e levava flores em homenagem a minha filha.
Além da ação proposta na I Vara de Registros Públicos para retificação de identidade, intentamos outra na Auditoria Militar de São Paulo, pleiteando a abertura de IPM para averiguar as verdadeiras causas da morte de minha filha, bem como a falsidade da certidão e laudo assinados por Harry Shibata e Antonio Valentine. Esse processo, na Auditoria Militar, teve seu curso normal até que o Comandante da II Região Militar, General Alvir Souto se negou a cumprir determinação do Juiz para a abertura de IPM, alegando insuficiência de provas.
Nessa ocasião a Juíza Dra. Sheila de Albuquerque Bierrembach determinou a exumação dos restos mortais sepultados no Cemitério Jardim da Saudade, bem como o seu exame pelo IML do Rio de Janeiro, constatando esse Instituto que aquela ossada não pertencia a Sônia, mas sim a um homem, negro, de aproximadamente 33 anos de idade.
Diante do estranho resultado dessa última exumação, a mesma Juíza Sheila Bierrenbach determinou que se fizessem, no Cemitério de Perus, tantas exumações quantas fossem necessárias até serem encontrados os restos mortais de Sônia Maria. Nessa busca, participei juntamente com minha mulher, familiares e amigos ainda de mais 4 exumações nesse mesmo Cemitério de Perus. Terminada a última dessas exumações foi encontrada uma ossada, que poderia ser a de Sônia. Porém, o crânio encontrado também não estava seccionado e os orifícios de entrada e saída de projéteis não coincidiam inteiramente com o laudo. Não tínhamos então a ficha dentária de Sônia, que havia sido perdida por seu dentista no Rio de Janeiro, Dr. Lauro Sued. Não tínhamos elementos de convicção para aceitar aqueles restos mortais como sendo os de Sônia e, por isso, tentamos impugnar as conclusões do IML de São Paulo, apresentando 11 quesitos e 10 fotografias do crânio de Sônia quando esta tinha 11 anos de idade. A juíza, Dra. Sheila, finalmente, aceitou a conclusão do IML de São Paulo, no sentido de que aqueles eram, oficialmente, os restos mortais de Sônia Maria de Moraes Angel Jones.”
Fonte: http://www.torturanuncamais-rj.org.br/MDDetalhes.asp?CodMortosDesaparecidos=167
A miséria moral de ex-esquerdistas
Emir Sader escreve:
Alguns sentem satisfação quando alguém que foi de esquerda salta o muro, muda de campo e se torna de direita – como se dissessem: “Eu sabia, você nunca me enganou”, etc., etc. Outros sentem tristeza, pelo triste espetáculo de quem joga fora, com os valores, sua própria dignidade – em troca de um emprego, de um reconhecimento, de um espaçozinho na televisão.
O certo é que nos acostumamos a que grande parte dos direitistas de hoje tenham sido de esquerda ontem. O caminho inverso é muito menos comum. A direita sabe recompensar os que aderem a seus ideais – e salários. A adesão à esquerda costuma ser pelo convencimento dos seus ideais.
O ex-esquerdista ataca com especial fúria a esquerda, como quem ataca a si mesmo, a seu próprio passado. Não apenas renega as idéias que nortearam – às vezes o melhor período da sua vida -, mas precisa mostrar, o tempo todo, à direita e a todos os seus poderes, que odeia de tal maneira a esquerda, que já nunca mais recairá naquele “veneno” que o tinha viciado. Que agora podem contar com ele, na primeira fila, para combater o que ele foi, com um empenho de quem “conheceu o monstro por dentro”, sabe seu efeito corrosivo e se mostra combatente extremista contra a esquerda.
Não discute as idéias que teve ou as que outros têm. Não basta. Senão seria tratar interpretações possíveis, às quais aderiu e já não adere. Não. Precisa chamar a atenção dos incautos sobre a dependência que geram a “dialética”, a “luta de classes”, a promessa de uma “sociedade de igualdade, sem classes e sem Estado”. Denunciar, denunciar qualquer indicio de que o vício pode voltar, que qualquer vacilação em relação a temas aparentemente ingênuos, banais, corriqueiros, como as políticas de cotas nas universidades, uma política habitacional, o apoio a um presidente legalmente eleito de um país, podem esconder o veneno da víbora do “socialismo”, do “totalitarismo”, do “stalinismo”.
Viraram pobres diabos, que vagam pelos espaços que os Marinhos, os Civitas, os Frias, os Mesquitas lhes emprestam, para exibir seu passado de pecado, de devassidão moral, agora superado pela conduta de vigilantes escoteiros da direita. A redação de jornais, revistas, rádios e televisões está cheia de ex-trotskistas, de ex-comunistas, de ex-socialistas, de ex-esquerdistas arrependidos, usufruindo de espaços e salários, mostrando reiteradamente seu arrependimento, em um espetáculo moral deprimente.
Aderem à direita com a fúria dos desesperados, dos que defendem teses mais que nunca superadas, derrotadas, e daí o desespero. Atacam o governo Lula, o PT, como se fossem a reencarnação do bolchevismo, descobrem em cada ação estatal o “totalitarismo”, em cada política social a “mão corruptora do Estado”, do “chavismo”, do “populismo”.
Vagam, de entrevista a artigo, de blog à mesa redonda, expiando seu passado, aderidos com o mesmo ímpeto que um dia tiveram para atacar o capitalismo, agora para defender a “democracia” contra os seus detratores. Escrevem livros de denúncia, com suposto tempero acadêmico, em editoras de direita, gritam aos quatro ventos que o “perigo comunista” – sem o qual não seriam nada – está vivo, escondido detrás do PAC, do Minha casa, minha vida, da Conferência Nacional de Comunicação, da Dilma – “uma vez terrorista, sempre terrorista”.
Merecem nosso desprezo, nem sequer nossa comiseração, porque sabem o que fazem – e os salários no fim do mês não nos deixam mentir, alimentam suas mentiras – e ganham com isso. Saíram das bibliotecas, das salas de aula, das manifestações e panfletagens, para espaços na mídia, para abraços da direita, de empresários, de próceres da ditadura.
Vagam como almas penadas em órgãos de imprensa que se esfarelam, que vivem seus últimos sopros de vida, com os quais serão enterrados, sem pena, nem glória, esquecidos como serviçais do poder, a que foram reduzidos por sua subserviência aos que crêem que ainda mandam e seguirão mandado no mundo contra o qual, um dia, se rebelaram e pelo que agora pagam rastejando junto ao que de pior possui uma elite decadente e em vésperas de ser derrotada por muito tempo. Morrerão com ela, destino que escolheram em troca de pequenas glórias efêmeras e de uns tostões furados pela sua miséria moral. O povo nem sabe que existiram, embora participe ativamente do seu enterro.
Fonte: http://www.cartamaior.com.br
Alguns sentem satisfação quando alguém que foi de esquerda salta o muro, muda de campo e se torna de direita – como se dissessem: “Eu sabia, você nunca me enganou”, etc., etc. Outros sentem tristeza, pelo triste espetáculo de quem joga fora, com os valores, sua própria dignidade – em troca de um emprego, de um reconhecimento, de um espaçozinho na televisão.
O certo é que nos acostumamos a que grande parte dos direitistas de hoje tenham sido de esquerda ontem. O caminho inverso é muito menos comum. A direita sabe recompensar os que aderem a seus ideais – e salários. A adesão à esquerda costuma ser pelo convencimento dos seus ideais.
O ex-esquerdista ataca com especial fúria a esquerda, como quem ataca a si mesmo, a seu próprio passado. Não apenas renega as idéias que nortearam – às vezes o melhor período da sua vida -, mas precisa mostrar, o tempo todo, à direita e a todos os seus poderes, que odeia de tal maneira a esquerda, que já nunca mais recairá naquele “veneno” que o tinha viciado. Que agora podem contar com ele, na primeira fila, para combater o que ele foi, com um empenho de quem “conheceu o monstro por dentro”, sabe seu efeito corrosivo e se mostra combatente extremista contra a esquerda.
Não discute as idéias que teve ou as que outros têm. Não basta. Senão seria tratar interpretações possíveis, às quais aderiu e já não adere. Não. Precisa chamar a atenção dos incautos sobre a dependência que geram a “dialética”, a “luta de classes”, a promessa de uma “sociedade de igualdade, sem classes e sem Estado”. Denunciar, denunciar qualquer indicio de que o vício pode voltar, que qualquer vacilação em relação a temas aparentemente ingênuos, banais, corriqueiros, como as políticas de cotas nas universidades, uma política habitacional, o apoio a um presidente legalmente eleito de um país, podem esconder o veneno da víbora do “socialismo”, do “totalitarismo”, do “stalinismo”.
Viraram pobres diabos, que vagam pelos espaços que os Marinhos, os Civitas, os Frias, os Mesquitas lhes emprestam, para exibir seu passado de pecado, de devassidão moral, agora superado pela conduta de vigilantes escoteiros da direita. A redação de jornais, revistas, rádios e televisões está cheia de ex-trotskistas, de ex-comunistas, de ex-socialistas, de ex-esquerdistas arrependidos, usufruindo de espaços e salários, mostrando reiteradamente seu arrependimento, em um espetáculo moral deprimente.
Aderem à direita com a fúria dos desesperados, dos que defendem teses mais que nunca superadas, derrotadas, e daí o desespero. Atacam o governo Lula, o PT, como se fossem a reencarnação do bolchevismo, descobrem em cada ação estatal o “totalitarismo”, em cada política social a “mão corruptora do Estado”, do “chavismo”, do “populismo”.
Vagam, de entrevista a artigo, de blog à mesa redonda, expiando seu passado, aderidos com o mesmo ímpeto que um dia tiveram para atacar o capitalismo, agora para defender a “democracia” contra os seus detratores. Escrevem livros de denúncia, com suposto tempero acadêmico, em editoras de direita, gritam aos quatro ventos que o “perigo comunista” – sem o qual não seriam nada – está vivo, escondido detrás do PAC, do Minha casa, minha vida, da Conferência Nacional de Comunicação, da Dilma – “uma vez terrorista, sempre terrorista”.
Merecem nosso desprezo, nem sequer nossa comiseração, porque sabem o que fazem – e os salários no fim do mês não nos deixam mentir, alimentam suas mentiras – e ganham com isso. Saíram das bibliotecas, das salas de aula, das manifestações e panfletagens, para espaços na mídia, para abraços da direita, de empresários, de próceres da ditadura.
Vagam como almas penadas em órgãos de imprensa que se esfarelam, que vivem seus últimos sopros de vida, com os quais serão enterrados, sem pena, nem glória, esquecidos como serviçais do poder, a que foram reduzidos por sua subserviência aos que crêem que ainda mandam e seguirão mandado no mundo contra o qual, um dia, se rebelaram e pelo que agora pagam rastejando junto ao que de pior possui uma elite decadente e em vésperas de ser derrotada por muito tempo. Morrerão com ela, destino que escolheram em troca de pequenas glórias efêmeras e de uns tostões furados pela sua miséria moral. O povo nem sabe que existiram, embora participe ativamente do seu enterro.
Fonte: http://www.cartamaior.com.br
O mediador global
Por Paulo Sant’ana
A gente lê e não acredita: o presidente Lula está em Israel para mediar a crise entre palestinos e israelenses.
E é encarado tanto pelo governo de Israel quanto pela França, os Estados Unidos e a Rússia como importante mediador global e ensarilhador de tensões.
Está agora em Israel Lula, pronto para conversar também com os palestinos e tentar um acordo entre os dois povos.
E, no dia 15 de maio próximo, Lula estará em Teerã, tentando ser um pacificador da questão nuclear e amenizador das sanções que as nações ocidentais estão impondo ao Irã pela ameaça de enriquecimento de urânio naquele país, um explosivo incidente que pode levar à guerra, conhecendo-se a intenção de Israel de bombardear o Irã no caso de que surjam vestígios nítidos de que Teerã esteja cultivando uma bomba nuclear.
A questão no Oriente Médio é tão intrincada e falecem tanto as soluções, que os políticos e governantes das nações em litígio, assim como as nações mais poderosas do mundo, aceitam mediação vinda de onde venha. Ainda mais uma mediação com autoridade neutral, que parece ser o caso do Brasil, que não foi potência imperialista no Oriente Médio, caso da Grã-Bretanha e da França. E é importante também, para a condição de mediador autorizado que Lula ostenta, que o Brasil é um país cuja Constituição o proíbe de desenvolver armas atômicas, o que o credencia para negociar acordo entre as potências nucleares e o emergente e assanhado Irã.
Lula percebeu esse vazio e se coloca à disposição dos litigantes para mediá-los.
E chama a atenção a importância que todos emprestam à figura de Lula como apaziguador de seus conflitos.
A impressão que se tem desses fatos é de que Lula é muito mais respeitado no Exterior do que aqui no Brasil.
Chega a ser emocionante ver como o Brasil é encarado com respeito pela comunidade internacional. Fato novo, criado pelo governo Lula. E especialmente criado pela figura simpática do presidente brasileiro.
A um desavisado aqui no Brasil, poderia ocorrer que a participação de Lula nas mediações desses importantes conflitos internacionais, os mais importantes em todo o cenário mundial, seria meramente folclórica.
Nada disso, a mediação do presidente Lula é ansiada pelos governantes e políticos das nações litigantes, transmitindo alguns deles até mesmo a opinião de que a intervenção de Lula nesses assuntos pode ser providencial para sua solução.
É espantosa essa saliência de Lula e do Brasil no cenário das relações internacionais. Nunca, sob qualquer governo, o Brasil teve essa notoriedade e destaque.
E de nós, brasileiros, é maior ainda o espanto: como pôde um ex-retirante de pau de arara, metalúrgico de dedo decepado de uma fábrica do ABC, líder de greves no período militar, sem luzes e cultura, ter chegado a esse ponto em que ameaça deixar o governo que está no fim, com a imagem de um estadista?
E estadista internacional.
Está aí o típico exemplo de um homem que deu e emprestou importância ao seu cargo.
Fonte: Jornal Zero Hora de 15/03/2010
A gente lê e não acredita: o presidente Lula está em Israel para mediar a crise entre palestinos e israelenses.
E é encarado tanto pelo governo de Israel quanto pela França, os Estados Unidos e a Rússia como importante mediador global e ensarilhador de tensões.
Está agora em Israel Lula, pronto para conversar também com os palestinos e tentar um acordo entre os dois povos.
E, no dia 15 de maio próximo, Lula estará em Teerã, tentando ser um pacificador da questão nuclear e amenizador das sanções que as nações ocidentais estão impondo ao Irã pela ameaça de enriquecimento de urânio naquele país, um explosivo incidente que pode levar à guerra, conhecendo-se a intenção de Israel de bombardear o Irã no caso de que surjam vestígios nítidos de que Teerã esteja cultivando uma bomba nuclear.
A questão no Oriente Médio é tão intrincada e falecem tanto as soluções, que os políticos e governantes das nações em litígio, assim como as nações mais poderosas do mundo, aceitam mediação vinda de onde venha. Ainda mais uma mediação com autoridade neutral, que parece ser o caso do Brasil, que não foi potência imperialista no Oriente Médio, caso da Grã-Bretanha e da França. E é importante também, para a condição de mediador autorizado que Lula ostenta, que o Brasil é um país cuja Constituição o proíbe de desenvolver armas atômicas, o que o credencia para negociar acordo entre as potências nucleares e o emergente e assanhado Irã.
Lula percebeu esse vazio e se coloca à disposição dos litigantes para mediá-los.
E chama a atenção a importância que todos emprestam à figura de Lula como apaziguador de seus conflitos.
A impressão que se tem desses fatos é de que Lula é muito mais respeitado no Exterior do que aqui no Brasil.
Chega a ser emocionante ver como o Brasil é encarado com respeito pela comunidade internacional. Fato novo, criado pelo governo Lula. E especialmente criado pela figura simpática do presidente brasileiro.
A um desavisado aqui no Brasil, poderia ocorrer que a participação de Lula nas mediações desses importantes conflitos internacionais, os mais importantes em todo o cenário mundial, seria meramente folclórica.
Nada disso, a mediação do presidente Lula é ansiada pelos governantes e políticos das nações litigantes, transmitindo alguns deles até mesmo a opinião de que a intervenção de Lula nesses assuntos pode ser providencial para sua solução.
É espantosa essa saliência de Lula e do Brasil no cenário das relações internacionais. Nunca, sob qualquer governo, o Brasil teve essa notoriedade e destaque.
E de nós, brasileiros, é maior ainda o espanto: como pôde um ex-retirante de pau de arara, metalúrgico de dedo decepado de uma fábrica do ABC, líder de greves no período militar, sem luzes e cultura, ter chegado a esse ponto em que ameaça deixar o governo que está no fim, com a imagem de um estadista?
E estadista internacional.
Está aí o típico exemplo de um homem que deu e emprestou importância ao seu cargo.
Fonte: Jornal Zero Hora de 15/03/2010
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